Há muitos produtos no formato de áudio atualmente na internet com os mais variados nomes, a maioria em inglês, mesmo quando em território virtual brasileiro. “Audiolearning”, “audiotheater”, “audioplay” e até “audiocasting” (usado por um banco para transmitir suas previsões na área financeira). Há peças de teatro gravadas em áudio, cursos, palestras, muitos e variados tipos de áudio.  Porém, no mercado se convencionou chamar de “audiobook” e, mais brasileiramente, de audiolivro (ou ainda livro em áudio) o seguinte tipo de produção: um livro, em geral já existente em papel, gravado na íntegra em áudio e distribuído em CDs, CDs de MP3 ou via internet (por download ou streaming). A diferença entre o download e o streaming é que no download o arquivo é baixado totalmente para o equipamento do cliente; já no streaming, o usuário escuta um arquivo que está em um servidor. Nesse caso, ele tem a vantagem de não precisar usar espaço do seu equipamento mas tem a desvantagem de precisar se manter conectado à internet enquanto quiser ter acesso ao arquivo.

Dentro dessa definição há ainda a possibilidade do audiolivro condensado, ou seja, gravado a partir de uma condensação da obra original. Com isso, um livro de 20 horas, por exemplo, pode ter algumas partes cortadas ou resumidas e ser reproduzido em 10 horas. Os produtores de audiolivros em inglês, que compõem a maior parte do mercado mundial, dizem que os condensados são importantes para ajudar a formar público para o produto. Segundo eles, em geral, quem compra os condensados são usuários que ainda estão começando a escutar audiolivros.

No Brasil, pelo menos até 2016, essa proposta de condensados não decolou. Minha experiência pessoal como ouvinte desse tipo de produto foi muito frustrante. Escutei Cinzas de Angela, de Charles Dickens, inteirinho, amei e só no final soube que eu havia escutado uma versão condensada. Com certeza, essa informação tinha sido dada antes, mas não percebi. O fato de ter adorado o audiolivro e depois descobrir que havia escutado um tipo de resumo de uma obra tão importante, tão rica em detalhes literários, me deixou com uma sensação de frustração.

Uma outra possibilidade de formato de audiolivro é a obra criada especialmente para o áudio, ou seja, a obra que não parte de um livro já editado e comercializado em papel. Há vários exemplos desse tipo de audiolivro no mercado de língua inglesa e no mercado brasileiro.

Dentro do que se convencionou chamar de audiolivro há ainda algumas variações de características em relação ao uso da música e de efeitos sonoros.

A maior parte dos audiolivros em inglês usa apenas a voz humana. Os produtores não utilizam música de fundo nem vinhetas musicais em aberturas. Há uma razão bem prática para isso: lidar com direitos autorais e direitos conexos (execução, gravação, etc.) na área de música é muito trabalhoso.

No Brasil, tudo tem mais “jeitinho” e os audiolivros brasileiros acabaram incluindo mais música ou, pelo menos, vinhetas musicais. Porém, há uma diferença entre usar uma vinheta em pontos estratégicos, como aberturas de capítulos, por exemplo, e usar longos trechos de música ao fundo da leitura.

Eu pessoalmente não gosto de escutar um audiolivro com música no fundo. Fico com a sensação de que os dois elementos – texto e música -- estão brigando, disputando a minha atenção. Mas, é claro, o mercado não se baseia no meu gosto. Precisaríamos ter pesquisas para saber do que o brasileiro gosta em termos de audiolivros (com ou sem música).

Alguns gêneros de audiolivros são naturalmente exceções quanto ao uso de música. Eles incluem os infantis, os de poesia e os esotéricos, como os de meditação e relaxamento. Mesmo os audiolivros em inglês, francês, espanhol e alemão nessas áreas estão cheios de trechos musicais.

Basicamente a mesma regra vale para o uso de efeitos sonoros. Os principais tipos de audiolivros com efeitos sonoros são os infantojuvenis e os esotéricos (água, pássaros e vento são os efeitos mais comuns).