A obra
Esta obra foi escolhida para ser a primeira do selo Livro Falante
sobretudo por sua qualidade literária ou, melhor que isso,
artística. Se arte é, sem entrar em discussões conceituais, ao
menos abarcar com força os seres humanos, mudá-los de
lugar, fazê-los sentir cheiros e gostos, ter novos
questionamentos e anseios, então, não há dúvidas, A Morte e a
Morte de Quincas Berro D'Água é uma obra de arte da maior
grandeza. Neste curto romance, Jorge Amado conta a história
da morte (ou das mortes, como saberá o ouvinte) de Quincas
Berro D'Água. Quincas é um funcionário público que deixa a enfadonha vida em família e o dia-a-dia burocrático para viver como bem entende, bebendo cachaça e amando as mulheres e o mar.
Sua morte põe em xeque os valores e sentimentos da família, dos amigos e da própria sociedade. Quem é o defunto? É o respeitável funcionário Joaquim? Ou o vagabundo beberrão que vagava pelas ruas de Salvador?
O ligeiro sotaque da atriz Nevolanda Pinheiro, também nascida na terra de Jorge Amado, encarrega-se de ressaltar o recheio de humor e lirismo que o escritor baiano usa para contar direitinho como tudo aconteceu. Por que a fama de Quincas correu o mundo? De onde veio o apelido de Berro D'Água? Quem eram seus amigos, sua família e sua companheira? Por fim, como foi que Quincas morreu?
Por que Quincas?
Publicada pela primeira vez em 1959, na revista Senhor, esta curta obra logo recebeu vestes de romance - hoje está prestes a atingir sua 100 ª edição em livro - e conquistou produtores de música, teatro, balé e televisão, além de consagrados artistas plásticos, como Carybé, Floriano Teixeira e Di Cavalcanti. As adaptações para teatro não aconteceram só no Brasil - já chegaram aos palcos do Uruguai, da França e da Espanha.
O texto de Jorge Amado inspirou também outras manifestações artísticas, como a canção Quincas Berro D'Água, composta em 1974 por Ildásio Tavares e Carlos Lacerda; e a montagem de um balé em 1980, no Rio de Janeiro, com coreografia de Gilberto Motta e música para orquestra composta por Francisco Mignone. Na televisão, teve duas montagens: em 1968 e em 1978.
A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água tem proporcionado, aos estudiosos, assunto para inúmeras teses, dissertações e monografias. Depois de tudo isso, não é preciso explicar porque Quincas em audiolivro. Divirta-se.
Autoridade para falar
Nevolanda Pinheiro, nascida em Salvador, estudou teatro na Universidade Federal da Bahia e atualmente vive em Ilhéus, onde participa de um grupo que se dedica ao estudo e à divulgação da poesia. Ela traz em seu currículo, entre outros trabalhos, a honra de ter interpretado a primeira Chica da Silva no teatro nacional, em 1959, dirigida por Gianni Ratto, na peça O Tesouro da Chica da Silva, de Antonio Callado.
Nevolanda, com a autoridade que lhe conferem a cidadania baiana e a experiência de atriz, leva o ouvinte a passear pelo universo de Quincas Berro D'Água. A cada personagem, dos amigos beberrões à empolada família, Nevolanda dedica uma surpreendente inflexão de voz. Para cada mundo, da insossa vida familiar de Joaquim Soares da Cunha ao universo sensual e exuberante de Quincas, a atriz reserva timbres e registros variados. O resultado final é um painel de vozes multicolorido, como a própria Bahia de Jorge Amado.
O autor
Jorge Amado nasceu em Itabuna, Bahia, em 10 de agosto de 1912. Passou a infância em Ilhéus e fez os estudos secundários em Salvador, onde iniciou sua atividade literária. Publicou seu primeiro romance, O País do Carnaval, em 1931. Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935. Militante comunista, foi obrigado a exilar-se na Argentina e no Uruguai, entre 1941 e 1942, e, mais tarde, viveu na França e na Checoslováquia. De volta ao Brasil, afastou-se da militância política e passou a se dedicar inteiramente à literatura. Em 1961, foi eleito para a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. Seus livros já foram traduzidos em 55 países para 49 idiomas. Morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001.